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A história do ex-aluno Luiz Augusto: das favelas do Rio de Janeiro à University of Sydney graças à parceria com a EduMais

11/09/2025 | 0 comentários

(Artigo publicado originalmente no Daily Telegraph, na Austrália, em 9 de setembro de 2025, Daily Telegraph

Luiz foge da favela para aceitar bolsa na Universidade de Sydney

EXCLUSIVO — Eilidh Sproul-Mellis

Legenda (foto principal): O bolsista da University of Sydney Luiz Augusto Duarte de Araújo escapou da vida criminosa à qual muitos de seus amigos no Rio sucumbiram e agora continua seus estudos na Austrália. Foto: Tim Hunter.

A última vez que Luiz Augusto Duarte de Araújo viu seu melhor amigo de infância, Rickson, os dois estavam comemorando a véspera de Ano-Novo no Rio de Janeiro, e Luiz insistia para que o jovem integrante de uma gangue fugisse da vida no cartel antes que fosse tarde demais.

“Eu disse a ele: ‘saia dessa vida — você é um cara inteligente, não precisa estar onde está’”, disse o designer gráfico de 24 anos.

Rickson observava a área, à procura de policiais. “Eu disse: ‘pare com isso... sua mãe precisa de você, sua família precisa de você’. Ele respondeu: ‘Ah, só preciso de dinheiro, vou sair dessa logo’, mas esse dia nunca chegou.”

Um mês depois, seu amigo estava morto, abatido a tiros em um confronto com a polícia.

Primeiro brasileiro a conquistar uma bolsa de estudos integral na University of Sydney

Agora, o primeiro brasileiro a receber uma bolsa integral da University of Sydney, o estudante internacional de pós-graduação passa o tempo livre entre as aulas jogando futebol com colegas no prestigiado St Paul’s College, alma mater de nomes como Gough Whitlam.

Sua nova moradia na faculdade mais antiga da universidade é muito diferente de Pavão-Pavãozinho, a favela carente onde ele cresceu, na zona sul do Rio.

Em uma entrevista comovente, Luiz — que está cursando um Mestrado em Design de Interação e Artes Eletrônicas — revelou a essência de sua “missão” em Sydney.

“Talvez eu possa ser a pessoa que abrirá essa porta para as pessoas da minha comunidade.”
— Luiz Augusto Duarte de Araújo, bolsista brasileiro

“Tive sorte”

Contra todas as probabilidades, Luiz “teve uma infância feliz”, disse ele; sua adolescência e juventude seguiram um rumo completamente diferente daquele de seus amigos com quem costumava jogar futebol nas ruas.

Ele atribui essa vida afortunada à mãe solo que o criou, protegendo-o do pior da violência e da pobreza em sua comunidade.

Enquanto sua mãe Antonia trabalhava longas horas para ganhar dinheiro suficiente para manter Luiz bem alimentado, sua madrinha Dilza o acolheu em sua casa.

Antonia lutou muito para conseguir matricular o filho na disputada escola filantrópica Solar, onde o dia letivo dura mais de 10 horas e os alunos passam as tardes praticando esportes, aprendendo a tocar um instrumento musical ou jogando capoeira sob supervisão.

“Eu tive sorte — se esse lugar não existisse, não sei onde eu teria ido parar”, disse Luiz.

Ter uma boa educação não é fácil no sistema público de ensino do Rio. A maioria das escolas libera os alunos ao meio-dia, muitas vezes deixando os jovens por conta própria durante horas.

“No lugar onde cresci, é muito difícil prosperar — conseguir um bom emprego, juntar dinheiro, construir uma família e ter uma casa grande.

“O crime parece ser o caminho perfeito… e quase todos os meus amigos caíram nessa armadilha.”

Mais tarde, ele descobriria que Rickson não foi o único amigo de infância a pagar com a vida por se envolver com o crime organizado.

Jornalismo

Enquanto isso, Luiz se tornou o primeiro da família a cursar a universidade, conquistando uma bolsa na instituição privada mais bem classificada do Brasil, a PUC-Rio.

Receber a carta de aceitação para cursar jornalismo foi “um dos melhores dias da vida da minha mãe”, disse Luiz.

Ele conseguiu um emprego na TV Globo, a maior rede de televisão da América Latina. Embora uma carreira no jornalismo não tenha dado certo — criativo por natureza, Luiz encontrou mais satisfação no design gráfico —, o trabalho encheu Antonia de orgulho. “Para a minha família — especialmente para a minha mãe —, ver o filho trabalhando em um lugar como aquele foi muito importante”, disse ele.

Parceria entre a Universidade de Sydney, a EduMais e a Solar Meninos de Luz

Então veio a oferta mais extraordinária até aquele momento — a EduMais, instituição beneficente parceira da Solar, queria indicar Luiz para uma bolsa International Equity de US$ 150.000 por ano na Universidade de Sydney, do outro lado do mundo.

“Eu pensei: ‘você disse Austrália?’ e ela respondeu: ‘sim, Austrália’”, lembrou Luiz. “Não pensei duas vezes.”

Confirmando quase todos os estereótipos, uma de suas primeiras prioridades ao chegar a Sydney foi entrar para o time de futebol do St Paul’s. “Como brasileiro, preciso jogar para viver”, disse.

Legenda (fotos menores): Luiz (terceiro da esquerda para a direita) com amigos na favela Pavão-Pavãozinho, no Rio, com vista para a cidade e, à extrema direita, em sua escola, Solar.

Luiz Augusto no Daily Telegraph, setembro de 2025